#AndJustLikeThat: Credo, que delícia!


A notícia que todos esperavam mas que ninguém queria ouvir finalmente (ou não, mas provavelmente sim) chegou: depois de três temporadas chegará ao fim a sequência de "Sex And The City", a série "And Just Like That"

E mesmo depois de 31 episódios (ainda teremos os dois últimos derradeiros) e com importantes acontecimentos na vida das personagens principais terem acontecido, I couldn't help but wonder, essa série realmente chegou a começar algum dia?

Voltando lá pro final de 2021, quando o primeiro episódio estreou, o mundo estava no meio da pandemia e reencontrar personagens e um universo que amávamos tanto parecia a melhor idéia de todas. 

E foi! Diria até que por toda a primeira temporada...

Carrie, Charlotte e Miranda estavam de volta, tínhamos boas cenas e diálogos, "correções" em relação a série original que foram bem aplicadas e muitas, muitas referências a "Sex And The City"Que delícia!

A não volta da Samantha, claro, foi uma grande questão da série com o público e uma situação nunca bem resolvida dentro da história. Também já identificamos algumas coisas e escolhas “esquisitas” ali naquele (re)início, como a falta de sutileza na apresentação das personagens novas, principalmente Che Diaz (Sara Ramirez), o 360 duplo carpado que a vida da Miranda deu e a morte do Mr. Big. Mas, mesmo assim, o público continuou voltando, reencontrando aquelas velhas amigas e amigos e foi bom demais ter aquele conforto naquele momento tão complicado que se apegar a esses pequenos "erros” era uma grande besteira. 

"And Just Like That" começou (e o problema foi que continuou até o final) muito sustentada pela nostalgia. E como disse a protagonista da franquia "Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado" no filme mais recente da série: “Nostalgia é superestimada!”. 

E foi.

Quando a segunda temporada estreou em 2023, um pouco mais de um ano depois do fim da primeira, a pandemia já tinha acabado e nossas vidas já tinham voltado ao "normal". Se apoiar na nostalgia tava ficando puxado demais! Queríamos seguir em frente, novos caminhos, novas escolhas, novos ares e ignorar os pontos problemáticos do programa agora era missão quase impossível. Mas eles continuaram! 

Os roteiristas demonstraram muita dificuldade em manter a essência da série original colocando, ao mesmo tempo, as personagens conhecidas em novas situações e conflitos sem descaracterizá-las. As personagens novas ganharam um pouco mais de desenvolvimento mas elas tinham algo a dizer? Alguma história pra contar? Lisa e Nya estavam perdidas na série e Seema, mesmo sendo desde o início a personagem novata mais interessante, penou pra ganhar o público por ser uma espécie de Samantha 2.0. 

Tá bom! Até tiveram alguns momentos que renderam algumas (poucas) risadas e a nostalgia ainda ajudava muuuuito a continuarmos assistindo. Prova disso é que o ponto alto da temporada foi a pequeníssima participação da Samantha no último episódio. Ou você se lembra de algum outro acontecimento marcante dessa temporada? 

A participação se resumiu com a Samantha falando com a Carrie por telefone. 
Sentada. 
No carro. 
Eles devem ter gravado aquela "cena" em 30 min no máximo! 

O PONTO ALTO DA TEMPORADA! E já era a segunda.

Lição pra vida: uma boa protagonista NUNCA pode deixar de respeitar o valor que uma coadjuvante carismática tem 👀. E digo mais: a forma (ou a não forma) como lidaram com a ausência da Samantha como personagem regular só a fez ser mais querida e icônica. E aqui a nostalgia não ajudou, só passou a perna na série. A personagem cresceu mesmo não estando ali.

E pra coroar lindamente os rumos sem sentindo algum que os roteiristas davam para as personagens veio o pedido do Aidan para a Carrie na season finale. E foi ali, naquele momento, que a série perdeu o pouquíssimo resto de credibilidade que ainda tinha. 

O sentimento de que acompanhar a série virou um prazer que gerava culpa, um amo odiar na potência máxima, foi confirmado e escrachado ali.

2025. Novamente mais de um ano depois do fim da última temporada, a pandemia já tinha virado história, rolou uma greve de roteiristas e finalmente a terceira temporada da série estréia. Duas personagens novas e importantes sumiram da série. Che nunca agradou muito o público, era chata e os roteiristas não sabiam o que fazer com ela. A impressão que eu tinha é que ela existiu pra levantar um bandeira mas eles nunca souberam escrever aquela personagem. Nya poderia até render mas sofreu pra ganhar espaço na história. E a atriz conseguiu um acordo melhor em outra série e pulou do barco.

A maldita da nostalgia ainda nos fez dar o play mas agora o regime era de paciência ZERO. Reclamamos e reclamamos muito! A cada novo episódio liberado, uma nova onda de amo odiar começava na internet. A série virou piada. Aguentar a ladainha que foi a Carrie com o Aidan, que nessa temporada ganhou o troféu de maior bananão de todos os tempos, foi dose pra leão. Foram tantos absurdos em cima de absurdos que quando o episódio 9, o que eles terminam, ficou disponível, eu ainda pensei que eles poderiam ter feito aquilo tudo pra se livrarem do Aidan e restartarem a história. 

Mas não era isso, era o ápice do ápice do "não sabemos mais o que fazer com essas histórias aqui".

"And Just Like That" só foi boa quando reverenciava o passado. Quando tentava olhar e viver o futuro virava uma caricatura ruim de "Sex And The City". A nostalgia, por ela própria, não suportou. É uma delícia reencontrar quem a gente gosta mas a vida segue em frente e aqui os personagens pareciam, na maioria das vezes, estacionados, revivendo situações que já conhecíamos e não pareciam ter a idade que tinham. É como se no início o tempo que tinha passado desde o final do 2º filme não tivesse passado e agora, no final, esse tempo todo dessa série foi um "tempo reduzido". A história, no geral, não foi pra lugar nenhum, meio que começou mas não andou. 

O tal "Um novo capítulo 'Sex And The City'" vai ser um capítulo meio azedo de ser lembrando! Credo!

Realmente não sei o que esperar desses dois episódios finais. A única coisa que espero disso tudo é que daqui a alguns anos eles não resolvam fazer um filme ou especial revivendo tudo novamente (Duvida?) e que agora, de uma vez por todas, deixem esses personagens e essas histórias descansarem. 

Tudo chega ao fim e às vezes o fim é a melhor canetada que um roteirista pode dar.