"Frankenstein" é lindo mas irregular.
Eu fiquei maravilhado com muitas imagens em "Frankenstein". Tudo é muito bonito e grandioso. Só um daqueles vestidos usados pela Mia Goth deve ter custado o orçamento inteiro de algum filme brasileiro. Os cenários são incríveis e as maquiagens de efeito impressionantes. Até a “criatura” tem uma certa beleza. É bom gosto do início ao fim. Senti falta apenas de uma fotografia mais suja e que não “plastificasse” tanto a sujeira da arte (padrão streaming de qualidade? 🤔).
Na própria Netflix tem um making of de uns 40 minutos onde diretor, arte, fotografia, maquiagem e figurino falam mais sobre seus trabalhos ali e além de ser muito interessante evidencia ainda mais a paixão do Guillermo del Toro (roteirista e diretor) pelo projeto. E talvez tenha sido essa mesma paixão (paixões né!? 🤷🏻♂️) que tenha feito o diretor focar tanto em determinados pontos e não aprimorar, ou não abrir a cabeça para outros, fazendo de "Frankenstein" um filme irregular. Veja bem, achei o filme muito bom mas a sensação de “poxa, foi quase!” no final foi inevitável.
É muito claro que a linha temática que o del Toro queria seguir era a que envolvia a relação criador/criatura-“pai”/“filho”, mas ele foi com tanta sede nesse pote que alguns personagens ficaram “inacabados”, soltos. Caso de William, Elizabeth e Harlander. Não acho que a dinâmica entre os irmãos Victor e William tenha sido desenvolvida suficientemente, logo, William serve como porta de entrada para Elizabeth mas imediatamente depois fica perdido na história. Acho que o grande mérito do ator que o interpretou, o Felix Kammerer, foi o de não o ter feito como um abobalhado total e ter lhe dado humanidade. Sua última fala é totalmente desnecessária, quase revoltante até.
Harlander é um personagem curioso. Ele é introduzido na história com certa pompa e até senti uma tensão sexual dele em relação ao Victor mas, apenas algumas cenas depois, é descartado. Me pareceu um personagem que talvez tenha sido “turbinado” pela participação do Christoph Waltz, que está ótimo fazendo ele mais uma vez, mas que não deu em nada e que poderia ser um personagem menos “festival promessas”.
Com a atenção voltada completamente para seus personagens, Oscar Isaac e Jocob Elordi fazem um trabalho excepcional. O primeiro está completamente entregue em cena e todas as nuances do personagem conseguem ser identificadas. Vilão mas também vítima. O segundo tem um trabalho de corpo realmente impressionante e seu olhar melancólico e sua tristeza transformada em raiva fica muito evidente. Em termos de elenco o filme é dos dois. 10 de 10.
"Frankenstein" é violento mas ao mesmo tempo é muito carregado de romantismo (em alguns momentos carregado até demais), mas consegue, creio eu, despertar no espectador muitos questionamentos e reflexões. Tem questões mas também é muito eficaz. Del Toro é um ótimo contador de histórias e qualquer filme feito por ele merece nossa atenção e com esse filme não é diferente.
Tá na Netflix, já assistiu?
